Preços de medicamentos para hospitais caem 0,38% em setembro e acumula cinco meses de queda 

Desaceleração do IPM-H, medido pela Fipe em parceria com a Bionexo, indica alívio nos custos hospitalares e reflete maior estabilidade no mercado de saúde. 

Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H), desenvolvido pela Fipe em parceria com a Bionexo, registrou queda de 0,38% em setembro de 2025, marcando o quinto mês consecutivo de variação negativa nos preços dos medicamentos adquiridos por hospitais no Brasil. O resultado reflete uma acomodação dos custos no setor e desacelera a alta acumulada no ano para 1,05%, enquanto nos últimos 12 meses o índice aponta aumento discreto de 0,22%. 

O IPM-H é elaborado pela Fipe com base em dados transacionais da Bionexo, healthtech que atende 9.000 clientes e possui cerca de 30 mil fornecedores cadastrados no Brasil, Argentina, Colômbia, México e Equador. O índice acompanha os preços de medicamentos efetivamente negociados entre hospitais e fornecedores, refletindo o comportamento real do mercado hospitalar brasileiro. 

Em setembro, a inflação oficial medida pelo IPCA/IBGE apontou aumento de 0,48% nos preços ao consumidor, enquanto o IGP-M/FGV registrou alta de 0,42%. A variação negativa do IPM-H segue em direção oposta aos índices gerais, indicando alívio para o orçamento hospitalar, mesmo diante de um cenário de volatilidade cambial e ajustes setoriais. 

De acordo com Bruno Oliva, economista e pesquisador da Fipe,

Individualmente, considerando o comportamento dos preços dos grupos terapêuticos que compõem a cesta de cálculo do IPM-H, as variações foram majoritariamente negativas no mês, abrangendo: aparelho digestivo e metabolismo (-3,58%); imunoterápicos, vacinas e antialérgicos (-2,51%); aparelho geniturinário (-2,44%); sangue e órgãos hematopoiéticos (-1,61%); sistema musculoesquelético (-1,28%); preparados hormonais (-1,14%); sistema nervoso (-0,98%); órgãos sensitivos (-0,70%); anti-infecciosos gerais para uso sistêmico (-0,69%); e aparelho cardiovascular (-0,10%); Em contrapartida, dois grupos terapêuticos apresentaram aumentos nos preços: aparelho respiratório (+1,10%) e agentes antineoplásicos (+1,05%). 

Ao incorporar o resultado negativo de setembro, a alta acumulada pelo IPM-H desacelerou para 1,05% no ano. A manutenção do índice em terreno positivo no balanço parcial de 2025 reflete o peso combinado de grupos que apresentaram aumento nos preços no balanço parcial de 2025: imunoterápicos, vacinas e antialérgicos (+12,05%); aparelho geniturinário (+4,64%); preparados hormonais (+3,05%); aparelho respiratório (+1,77%); e agentes antineoplásicos (+0,18%) compensando as variações negativas nos preços dos demais grupos: sistema musculoesquelético (-7,60%); sistema nervoso (-6,16%); aparelho digestivo e metabolismo (-4,96%); aparelho cardiovascular (-3,65%); anti-infecciosos gerais para uso sistêmico (-2,97%); sangue e órgãos hematopoiéticos (-1,22%); e órgãos sensitivos (-0,44%). 

Finalmente, também houve uma desaceleração nos preços dos medicamentos para hospitais nos últimos 12 meses, uma vez que o IPM-H passou a registrar um ligeiro incremento de 0,22%.  

Nesse contexto, os seguintes grupos terapêuticos registraram aumentos de preço: imunoterápicos, vacinas e antialérgicos (+13,22%); aparelho geniturinário (+4,72%); e preparados hormonais (+3,30%). As quedas de preço, por sua vez, abrangeram: sistema musculoesquelético (-12,77%); sistema nervoso (-8,89%); aparelho digestivo e metabolismo (-4,63%); aparelho cardiovascular (-4,00%); sangue e órgãos hematopoiéticos (-3,60%); órgãos sensitivos (-3,33%); anti-infecciosos gerais para uso sistêmico (-3,10%); e aparelho respiratório (-1,13%); e agentes antineoplásicos (-0,43%).  

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